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Conheça o caminho percorrido pelo alimento no trato digestório do ruminante

Para se obter eficiência no manejo alimentar e entender como funciona o manejo nutricional de uma vaca leiteira é necessário conhecer o caminho percorrido pelo alimento no trato digestivo dos ruminantes, assim como a anatomia e a fisiologia do trato digestório dos ruminantes.

 

A Figura 1 ilustra o estômago e intestinos de um bovino adulto, sobre os quais se explanará, de forma concisa, neste artigo.

 

Ingestão de alimentos

 

Existem várias teorias sobre o controle de ingestão de alimentos, no entanto o aprofundamento nestas teorias foge dos objetivos deste artigo. São dois os principais fatores que interferem na quantidade de alimentos ingeridos pelos ruminantes: o nível de energia da dieta, que exerce o controle metabólico da ingestão, visando manter constante a energia digestível; e a distensão estomacal, ou seja, a restrição pela capacidade física do rúmen, de forma que, quanto maior o teor de fibra em uma forragem, menor a digestibilidade, maior permanência no trato gastrintestinal e menor a ingestão voluntária.

 

 

 

Figura 1 - Aparelho digestivo dos ruminantes do rúmen ao reto, adaptado de Russel (2002).

 

Apreensão dos alimentos

 

O processo de apreensão dos alimentos (captação) varia de acordo com a espécie animal (WELCH e HOOPER, 1993). Nos bovinos, a língua longa e móvel, é o principal órgão de apreensão, pelo quais os alimentos sólidos são apanhados e levados à cavidade oral (boca), auxiliado por movimento da cabeça, na direção posterior. Ao ingerir líquido, colocam apenas a porção média da fenda labial sobre o líquido, havendo retração da mandíbula e da língua, produzindo uma pressão negativa que aspira o líquido para o interior da cavidade oral.

Estando o alimento na boca, estes são cortados pela compressão dos dentes incisivos inferiores contra o palato duro superior (os ruminantes não possuem dentes incisivos superiores), no processo denominado mastigação, que tem por finalidade reduzir o tamanho dos componentes do alimento a partículas menores, permitindo, junto com a insalivação do alimento, formar o bolo alimentar para facilitar a deglutição, além de tornar as estruturas internas das forragens expostas, ao ataque dos microrganismos no retículo/rúmen.

 

Faringe e Esôfago

 

A propulsão do material sólido da boca para a faringe é realizada pelos movimentos da língua, separando o material, na boca, pela colocação da extremidade da língua contra o palato duro. A porção a ser deglutida é propelida, havendo elevação e retração da língua contra o palato. Simultaneamente, a respiração é inibida e a contração dos músculos da faringe fecha a glote e abre a faringe, permitindo a entrada do bolo alimentar.

 

A propulsão do bolo através da faringe acontece por uma contração peristáltica que começa no constrictor superior e progride através do músculo constrictor da faringe. Essas contrações, juntamente com o relaxamento do esfíncter esofágico superior, propelem o bolo para o esôfago.

 

O esôfago propele o material para o estômago, por contrações coordenadas pelas camadas musculares e sua parede, que são contrações peristálticas. Essas contrações começam exatamente abaixo do esfíncter esofágico e ocorrem sequencialmente, dando a aparência de um movimento ondular de contração em direção ao estômago. Depois da sequência dos passos da contração o músculo esofagiano torna-se novamente flácido.

 

Estômago

 

O estômago compreende quatro compartimentos: os pré-estômagos (rúmen, retículo e omaso) e o estômago verdadeiro, o abomaso. A mucosa dos pré-estomagos não produz secreções, predominando a presença de microrganismos (bactérias, fungos e protozoários), responsáveis pela “digestão microbiana”, fundamental no suprimento de nutrientes para o animal, especialmente substrato para produção de energia (TEIXEIRA, 1996). No abomaso, há secreção de enzimas e inicia-se, o processo de digestão ácida.

 

Por meio de contrações musculares no retículo-rúmen, em consequência de estímulos provenientes do sistema nervoso central, ocorrem movimentos ordenados e sincronizados que fazem com que o bolo alimentar ingerido seja misturado com o alimento já existente no rúmen. Este bolo alimentar retorna à cavidade oral pela regurgitação, é remastigado, reinsalivado e redeglutido, em processo que se denomina ruminação. O tempo despendido dependerá da textura e quantidade de alimento ingerido; os bezerros gastam 120 minutos durante o dia e 180 minutos durante a noite, ruminando. Adultos podem gastar 35 a 80 minutos de ruminação/kg de volumoso consumido, sendo que 66% desse tempo ocorrem à noite (TEIXEIRA, 1996).

 

Simultaneamente, há grande quantidade de gases produzidos no rúmen, provenientes da fermentação microbiana, que escapam pela boca, narinas e traquéia, durante a eructação.

 

Após o retorno da digesta ao rúmen, há retenção por algum tempo, não passando imediatamente ao omaso. O bolo alimentar é depositado na parte dorsal do saco craneal do rúmen, e, por meio de contrações cíclicas coordenadas, iniciadas no retículo ruminal o bolo alimentar é arrastado em sentido caudal, formando um sistema de paredes e canais, que levam o alimento até a goteira reticular e o orifício retículo-omasal. A transferência da digesta para o omaso se dá quando ocorre o final da contração reticular e a diminuição das contrações do omaso. Assim, a passagem da digesta para o omaso é relativamente contínua e controlada pela ação de contrações do retículo e do omaso, sendo que o orifício retículo-omasal funciona como uma válvula. As contrações omasais, menos intensas que as reticulares, propulsionam o material para o abomaso.

 

O abomaso possui forma alongada, situa-se à direita do rúmen e repousa sobre o assoalho abdômen, caudalmente ao retículo. Internamente, é revestido por uma mucosa lisa, que contém numerosas glândulas que secretam o suco gástrico, que inicia o processo de digestão ácida. Na forma semifluida, o bolo alimentar passa ao intestino, onde continua o processo químico, iniciado no abomaso, sofrendo ação de outras secreções do sistema digestivo (suco pancreático, bile e suco intestinal).

 

Intestino Delgado

 

O intestino delgado é o principal sítio de absorção de nutrientes em todas as espécies (BONDI, 1989). Compreendendo o duodeno, jejuno e íleo, diferentes entre as espécies, com relação ao tamanho e à capacidade.

 

A superfície interna é intensamente pregueada e apresenta numerosas vilosidades, que são projeções em forma de dedo. As vilosidades movimentam-se facilitando o contato da mucosa com os nutrientes digeridos, sob controle do sistema nervoso e estímulo de hormônios. Os nutrientes passam através do epitélio celular e penetram nos capilares sangüíneos ou no sistema linfático, sendo transportados pela veia porta até o fígado, e pelo sistema linfático até o coração. A digesta não absorvida passa para o intestino grosso por meio de contrações rítmicas (peristalses) e segmentadas (segmentação rítmica).

 

Fígado

 

O fígado é um dos maiores órgãos do organismo e, do ponto de vista metabólico, o mais complexo (TEIXEIRA, 1996). Tem como função básica, no processo de digestão, a formação e secreção da bile, a qual é armazenada na vesícula biliar, que, quando estimulada, libera o conteúdo dentro do intestino delgado, fundamental no processo de digestão e absorção das gorduras, colesterol, vitaminas lipossolúveis e outros.

 

Bile

 

A bile é composta, principalmente, por ácidos biliares, os quais são produzidos no fígado. Depois de secretados, os ácidos biliares podem ser armazenados na vesícula biliar e, então, propelidos para dentro do intestino delgado, onde participam da digestão e absorção de lipídios. No íleo terminal, os ácidos biliares são ativamente absorvidos e levados, via sangue portal, para o fígado, onde são secretados novamente. Este processo é chamado circulação enterohepática (retorno ao fígado dos ácidos secretados no intestino).

 

A função da bile é de emulsicação dos lipídios, neutralização de ácido e excreção de metabólitos. A emulsificação ocorre devido aos sais biliares ter em grande capacidade de reduzir a tensão superficial da água, sendo capazes de atuar nas gorduras que chegam ao intestino, dissolvendo os ácidos graxos e os sabões insolúveis em água. Além disso, é um importante veículo de excreção de alguns medicamentos, toxinas, pigmentos biliares e diversas substâncias inorgânicas, como cobre, zinco e mercúrio.

 

Secreção Pancreática

 

A atividade das enzimas pancreáticas no intestino dos ruminantes é muito baixa. A sua função é a digestão do amido que escapa da fermentação ruminal, pela amilase pancreática. Portanto, a quantidade de amido que chega ao intestino afeta a quantidade de amilase secretada.

 

Intestino grosso

 

O intestino grosso compreende o ceco, e cólon (ou colo) e o reto. Sua função principal consiste na absorção de água e eletrólitos. É no intestino grosso que ocorre a formação das fezes, a partir do material não digerido e da fração endógena.

 

Após a passagem pelo intestino grosso, os resíduos alimentares do aparelho digestivo são acumulados no cólon e levados até o reto por meio de movimentos peristálticos, onde os esfíncteres anais interno e externo, contraem-se, impedindo a saída das fezes através do ânus. A distensão do reto, provocada pela presença das fezes, dá origem à sensação da necessidade de evacuar, desencadeando o reflexo da defecação. Devido à contração da musculatura longitudinal do cólon, seguida por uma onda peristáltica intensa, as fezes são excretadas dos esfíncteres relaxados.

 

 

Data de Publicação: 24/03/2013
Autor: Publicado no Livro Manejo e Administração de Bovinos Leiteiros
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