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Teste de Progênie: Ferramenta de Melhoramento Genético e Avaliação/Seleção de Reprodutores Gir Leiteiro

No setor agropecuário com o aumento da produtividade, registrou-se um crescimento significativo na busca por sistemas de produção mais eficientes e competitivos e como desencadeamento deste contexto, o melhoramento genético animal tem proporcionado avanços na obtenção de produtos de origem animal, principalmente na seleção de touros. A superioridade genética de touros para produção de leite não pode ser medida diretamente nos animais, assim, o valor genético é medido pelo desempenho de produção de leite de suas filhas, mediante Teste de Progênie. A seleção de touros pelo Teste de Progênie pode ser considerada como método ideal quando temos características de baixa herdabilidade, populações grandes e um grande número de progênies, que hoje são obtidas pelo uso de I.A. (inseminação artificial). O correto parentesco entre reprodutores é um pré-requisito para um eficiente programa de melhoramento genético animal.

 

O melhoramento genético tem proporcionado avanços na obtenção de produtos de origem animal, principalmente pela seleção, cruzamentos entre raças, avaliação genética e orientação de acasalamentos entre animais com bom desempenho produtivo. O objetivo do melhoramento é o progresso genético de uma população e esse caracteriza- se por animais bons produtores e adaptados ao meio, o que ocorre pela seleção de touros me especial. A superioridade genética de touros para a produção de leite, por exemplo, não pode ser medida diretamente, logo a avaliação genética é medida pelo desempenho de suas filhas pelo Teste de Progênie. A seleção de touros pode ser considerada como método ideal, uma vez que por definição, o valor médio dos descendentes de um indivíduo filho tende para o valor genético aditivo deste indivíduo pai. Entretanto, o método apresenta dois inconvenientes que limitam sua utilização:custo elevado, aumento do intervalo de gerações. No entanto, seleção para características com baixa herdabilidade- produção de leite, h²= 0,25- e características onde o controle no candidato é impossível, claramente justificam o Teste de Progênie (Oliveira, 1995).

 

O Teste de Progênie tem por função avaliar animais, que futuramente poderão ser utilizados com o objetivo de promover o melhoramento da raça pela utilização de animais geneticamente superiores. O teste está fundamentado na avaliação do touro por meio da informação obtida das progênies e de companheiras do rebanho, considerando-se também as informações de pedigree (Embrapa, 1997). Este pode envolver medidas de conformação e manejo e suas correlações com as características de ordem produtivas e reprodutivas.

 

Lobo (1981) argumenta que: “O objetivo fundamental do teste de progênie é permitir a identificação de reprodutores de alto valor genético, ou seja, que tenham uma maior probabilidade de aumentar a média anual de produção de leite de um rebanho. Os princípios do teste são simples e baseiam-se principalmente na segregação dos genes nos gametas, cada descendente recebendo uma amostra da metade do patrimônio genético de cada um de seus pais”.

 

O Teste de Progênie realizado pela Embrapa- Gado de Leite tem contribuído sensivelmente para aumento da utilização de sêmen de touros Gir. Quando o programa teve início, há 25 anos, a venda de sêmen da raça era relativamente pequena, apenas 60 mil doses. Em 1993, quando saiu o resultado do primeiro grupo de touros, foram vendidas 118 mil doses de sêmen. "Em 2003, chegamos a 530 mil doses vendidas, segundo informações da Associação Brasileira de Inseminação Artificial", diz o pesquisador da Embrapa- Gado de Leite, Roberto Teodoro. Ele completa: "com a utilização deste sêmen, estima-se que sejam produzidas, por ano, 95 mil vacas com primeira lactação encerrada. Isto equivale a uma produção média anual de 2,5 mil kg/lactação para vacas da raça Gir, totalizando 237 milhões de litros de leite de incremento anual na produção brasileira". Sem sombra de dúvidas, a melhor forma de conhecer o valor genético de um reprodutor, para produção de leite, é o Teste de Progênie, através da avaliação da produção de leite de suas filhas. Isso porque o leite não é expresso no macho, sendo o controle leiteiro a principal ferramenta do Teste de Progênie.

 

O Teste de Progênie avalia as filhas dos touros que são responsáveis por mais da metade do melhoramento genético do rebanho. Para a realização do Teste de Progênie é necessário que alguns criadores tenham interesse em testar seus touros e outros criadores tenham interesse em inseminar as matrizes de seu rebanho com sêmen dos touros inscritos no Teste de Progênie, estes rebanhos são conhecidos como rebanhos colaboradores. De acordo com Sampaio (1999), o processo de seleção busca, nas novas gerações, melhor desempenho dos animais dentro das características selecionadas com o máximo critério. O objetivo é intensificar o progresso e evitar problemas com a incompatibilidade de caracteres componentes.

 

Como todo processo de melhoramento genético depende do acasalamento, o mesmo cuidado com a seleção das vacas deve ser considerado na escolha dos touros. A utilização de reprodutores provados- com Teste de Progênie- é uma opção acertada. Há no mercado opções interessantes de sêmen de touros provados de Gir Leiteiro por preços relativamente acessíveis, reforçando a viabilidade de utilizar touros devidamente provados em Teste de Progênie para acasalamentos em rebanhos gir com aptidão leiteira.

 

Resultados e discussões

 

No Brasil, tem crescido a conscientização em relação à importância da utilização do Teste de Progênie para avaliação genética de animais, representando uma mudança em direção à eficiência na seleção. A parceria entre criadores de animais de elite e instituições de ensino e pesquisa tem promovido maior engajamento dos pecuaristas em programas de avaliações genéticas. A permanente identificação mediante Teste de Progênie de novos touros melhoradores que atendam as exigências dos pecuaristas e do mercado consiste em um dos objetivos centrais do PNMGL- Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro.

 

Isso porque é evidente que os números nas provas dos touros auxiliam os produtores na tomada de decisões sobre qual reprodutor utilizar nos seus programas genéticos. Também é fato que, a cada novo sumário, um grande volume de informações é incorporado às provas. Alia-se a isso o fato de que o sumário do PNMGL- Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro via Embrapa- Gado de Leite é publicado anualmente e, sendo assim, tem-se um considerável quantitativo de dados/ informações sendo disponibilizados no mercado para análise do pecuarista. A base de qualquer programa está na rápida disponibilidade de dados a respeito da progênie do touro que se está testando. No caso das raças leiteiras, fundamentalmente os dados de produção e conformação são os pontos principais. Isso significa um correto comparativo entre as filhas dos touros e suas contemporâneas para estas características. O comparativo entre as filhas dos touros em teste e suas contemporâneas, forma a base do Teste de Progênie. Obviamente que, para efetuar-se este comparativo, é necessário que as filhas dos touros em teste, bem como suas contemporâneas sejam corretamente identificadas. Portanto, é fundamental para a maior confiança nos números, que os animais identificados como filhas de um determinado touro sejam realmente filhas dele.

 

Fica evidenciado que o Teste de Progênie é a prova zootécnica mais segura para identificar os valores genéticos preditos dos touros e promover o melhoramento genético em rebanhos leiteiros (Ledic, 1996). O PNMGL- Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro, implantando de forma pioneira no Brasil em 1985 com a respectiva raça, têm fomentado um trabalho a nível de excelência no sentido de identificar reprodutores com desempenho positivo para produção de leite, objetivando assegurar melhoria no nível genético desta população de animais. Além disto, considerando a enorme população de animais mestiços no Brasil e que numa determinada fase do cruzamento há dependência do uso de touros zebuínos (ou do sêmen), é compreensível entender a importância e necessidade de execução de um programa de Teste de Progênie para a raça Gir, a fim de disponibilizar maior oferta de reprodutores geneticamente mais qualificados (Ledic, 1996).

 

Com a disponibilidade dos reprodutores provados por Teste de Progênie, oriundos do PNMGL- Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro, os acasalamentos genéticos também ficaram muito mais eficazes, produzindo descendentes mais produtivos que seus pais e com grande acurácia.

 

É notório que a partir de 1985, com a implantação do PNMGL- Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro, a evidência nos rebanhos participantes de aumentos substanciais na produção de leite em 305 dias, produção total na lactação e na PTA para a produção de leite (Figura 01). A produção média na lactação passou de 2181 para 3172 kg e a produção média em 305 dias saltou de 2129 para 3070 kg. Ao mesmo tempo, a PTA média, das mesmas vacas, passou de -6 para 78 kg. Esses índices demonstram que o trabalho de seleção está sendo acompanhado de melhorias de manejo e de alimentação.

 

 

Figura 01. Produção média de leite até 305 dias (kg), produção total de leite na lactação (kg) e capacidade prevista de transmissão (PTA), em kg, de vacas da raça Gir leiteiros de rebanhos da raça Gir.

 

Evidencia-se um substancial incremento na quantidade de sêmen comercializado de touros da raça Gir leiteiro a partir de 1993, ano da liberação do primeiro resultado de teste de touros da raça Gir, até 1998, notou-se crescimento da ordem de 163% na quantidade de sêmen comercializado, quando passou de cerca de 87.000 para 229.000 doses (ASBIA, 1998). Segundo dados divulgados pelo relatório da ASBIA- Associação Brasileira de Inseminação Artificial- referente ao ano de 2008, a raça Gir Leiteiro desponta na comercialização de sêmen. Em 2008, foram negociadas 805.152 doses de sêmen, representando um crescimento de 20,59% em relação ao ano de 2007. No mesmo período a raça holandesa teve um crescimento percentual de 8,93%; a Jersey 1,12%; a girolando 14,18%; o guzerá leiteiro caiu 21,40%; a pardo suíço aumentou 12,30 e a raça Gir leiteiro mocho cresceu 21,92%. A comparação de venda de sêmen de Gir Leiteiro de 2004 e 2008 aufere um crescimento de 39,84%. Entre as raças de leite foi a que teve o maior desenvolvimento verificado. Nesse mesmo relatório, também pode ser observada, a continuidade na liderança do Gir Leiteiro referente ao crescimento da venda de sêmen entre as raças leiteiras nacionais e o segundo lugar no total geral comercializado no Brasil (FIGURA 02).

 

 

Figura 02. Sêmen Nacional Comercializado- Raças Leiteiras

 

Segundo relatório da ASBIA- Associação Brasileira de Inseminação Artificial foram comercializadas em 2009 no Brasil 9.160.863 doses, 11,65% a mais do que em 2008. As raças zebuínas segundo dados apresentados pela ASBIA referente ao ano de 2009, foram mais uma vez destaque nas vendas divulgadas pelo relatório. A raça Nelore foi a responsável pela comercialização de 2.291.025 doses de sêmen, seguida da Gir leiteira com 579.233 doses, e na sequência a raça Nelore Mocha com 245.682 e a raça Brahman, que comercializou 245.219 doses em 2009. Já a Guzerá comercializou 135.900 doses, a Tabapuã 86.765 doses, Indubrasil 4.421 doses e sindi 3.451 doses. O Guzerá leiteiro comercializou 34.292, enquanto o Gir leiteiro mocho comercializou 1.470 doses.

 

Nota-se que o interesse pelo Gir leiteiro vem crescendo muito nos últimos anos. O Brasil é o país com a melhor genética da raça, que desde 1930 vem investindo na seleção. Com o crescimento de mais de 20% da venda de sêmen em 2008 fazendo um comparativo com o ano de 2007, o Gir leiteiro apresentou o maior resultado entre as raças zebuínas, de acordo com dados da ASBIA- Associação Brasileira de Inseminação Artificial. É evidente também o crescimento de exemplares da raça presentes em exposições brasileiras. Na EXPOZEBU de 2010, o Gir leiteiro foi a 1ª raça em número de animais expostos no Parque “Fernando Costa” em Uberaba-MG. Fica evidente que o Sumário de Touros provados em Teste de Progênie estruturado pelo PNMGL consiste em uma importante ferramenta para o pecuarista nos processos de seleção de reprodutor Gir Leiteiro; uma vez que os mesmos apresentam de forma objetiva (PTA’s), a informação do desempenho dos touros para características herdáveis e de importância econômica como peso ao nascer, desmame, pós-desmame, perímetro escrotal, habilidade materna, entre outras características, enfim melhora a precisão da seleção.

 

A avaliação genética do rebanho é de grande importância, pois é ela quem viabiliza a informação genética dos animais, possibilitando o pecuarista de realizar seleção mais precisa- descarte de animais geneticamente inferiores/ indesejáveis em seu rebanho e acasalamentos dirigidos- acasalamentos que considera informação genética da vaca e do touro a fim de indicar, para uma fêmea, o reprodutor cujo acasalamento fornecerá melhores resultados. A consequência prática disto é o melhoramento genético do rebanho: produção de animais cada vez mais eficientes e adaptados a cada geração nascida, com maior rentabilidade para o pecuarista.

 

Conclusões

 

Os resultados animadores obtidos ao longo de anos de trabalho têm demonstrado que o uso de animais Gir Leiteiro tem se tornado uma excelente alternativa para o produtor de leite, tanto de gado puro como, e principalmente, o de gado mestiço. Há necessidade da continuação de forma persistente com os trabalhos atuais, para que o Brasil possa se tornar, cada vez mais, o fornecedor de genótipos superiores de raças Zebuínas para os países de clima tropical e subtropical.

 

O PNMGL- Programa Nacional de Melhoramento Genético do Gir Leiteiro, Teste de Progênie de Touros, projeto desenvolvido em parceria entre os criadores de Gir Leiteiro, representados pela ABCGIL, EMBRAPA, Gado de leite e ABCZ, ao completar 25 anos de existência, é um exemplo vitorioso de parceria público privada, com resultados que contribuem decisivamente para a melhoria da qualidade de vida das populações rurais, através da geração de renda pelo aumento da produtividade na pecuária leiteira. Trabalhos de parceria entre iniciativa pública e privada são importantes e imprescindíveis para o melhoramento de rebanhos zebuínos, para que os resultados esperados sejam alcançados de forma mais rápida e para que haja continuidade no fluxo de recursos e garantia de execução do projeto planejado.

 

O Programa de Teste de Progênie em reprodutores da raça Gir leiteiro realizados pelo PNMGL, avalia a capacidade genética do touro como pai, através do PTA- Capacidade Prevista de Transmissão, que mensura o desempenho esperado das filhas do touro em relação a media genética das filhas de todos os touros. Então, o Teste de Progênie é um certificado de garantia de incrementos na produtividade dos rebanhos, com base no PTA, um fundamental auxiliar para distinguir animais superiores quanto ao mérito genético como pai.

 

O Teste de Progênie ao identificar touros superiores- capazes de transmitir para suas filhas características positivas geneticamente para a produção de leite, torna-se assim um mecanismo viável e eficaz nos processos de seleção de reprodutor gir de aptidão leiteira.

 

Data de Publicação: 17/09/2013
Autor: Júnior César da Silva. Publicado em Revista Olhar Científico – Faculdades Associadas de Ariquemes – V. 01, n.2, Ago./Dez. 2010. Resumido e adaptado equipe Universidade do Leite
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