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Manejo de Bovinos Leiteiros


Data: 23/06/2016
Autor: Dr. José Carlos Peixoto Modesto da Silva

BE José

Doutor e Pós-Doutorado pela Universidade Federal de Viçosa
Presidente da Universidade do Leite

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Qualificar a mão-de-obra no Brasil e investir em genética são pontos fundamentais para proporcionar vantagens para toda a cadeia produtiva do leite. Acompanhe a entrevista!

A Universidade do Leite é uma consultoria brasileira especializada na capacitação de profissionais do segmento lácteo com o objetivo de melhorar os processos, difundir e gerar conhecimento para aprimorar o crescimento e desenvolvimento da cadeia produtiva do leite. Várias iniciativas têm sido implementadas no intuito de divulgar essas informações, entre elas, a publicação de diversos livros sobre o sistema de produção de leite, a assistência técnica a produtores rurais nas diferentes regiões do país, a criação de um site para divulgação de artigos científicos, a divulgação de informações de mercado, publicações de notícias diversas do setor lácteo, entre outras.

Para promover ainda mais o conhecimento da cadeia produtiva do leite, a Universidade do Leite está abrindo um novo espaço em seu site: “Especialista Responde”. Semanalmente, um profissional renomado da área será convidado e responderá a perguntas sobre o setor. São 10 perguntas ao todo que serão respondidas com objetividade. Os internautas também podem participar e interagir, enviando perguntas.

Acesse aqui para enviar suas perguntas.
Ou abaixo da entrevista deixe seu comentário.

A ideia é ampliar os conhecimentos sobre pecuária leiteira, principalmente, quanto aos aspectos conceituais.

Nesta primeira entrevista, a Universidade do Leite, traz o tema “Manejo de Bovinos Leiteiros”, cujas perguntas serão respondidas pelo Presidente da Universidade do Leite, Dr. José Carlos Peixoto Modesto da Silva.

Doutor em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa, com Pós-Doutorado pela mesma Universidade, Dr. José Carlos tem mais de 15 livros e diversos artigos científicos publicados na área, ministra cursos em todo o Brasil e trabalha há mais de 30 anos prestando assessoria técnica aos produtores de leite.

 

Dr°. José Carlos Modesto da Silva, responde:
1) Quais as principais causas da baixa produtividade na maioria das fazendas que produzem leite?
Dr.° Modesto: Acredito que, em primeiro lugar, está a falta de conhecimento de como produzir mais e melhor, me refiro ao conhecimento do manejo. O produtor rural, muitas vezes, tem vontade de produzir de forma mais eficiente, no entanto, na maioria das vezes, recebem orientação de profissionais pouco qualificados. Muitos produtores dependem de orientação de empresas públicas, responsáveis pela assistência técnica, que na maioria das vezes são despreparados, pois não recebem estímulo dessas empresas para se reciclar. Os laticínios, também poderiam dar sua contribuição, como ocorre em outros países com maior tradição na produção de leite, mas, infelizmente, poucos prestam assessoria técnica, mesmos os produtores fornecendo leite a estes laticínios. Outro fator é a falta de investimento em melhoramento genético para produção de leite. É possível melhorar a qualidade genética do rebanho, com investimentos relativamente baixos. O que falta é orientação em como fazer.

2) Qual a principal falha no manejo que o Sr.° observa quando inicia uma assistência técnica?
Dr.°Modesto: Muitos produtores não fazem controle leiteiro e não sabem o potencial de cada animal, individualmente. É preciso fazer o controle leiteiro para agrupar os animais da forma adequada, maximizando a produção e diminuindo o custo. Fazendas com nível tecnológico maior, muitas vezes têm dificuldades em formular uma ração eficiente e de menor custo.

3) Como deve ser feito o manejo das bezerras em aleitamento?
Dr°. Modesto: Primeiro, deve ser fornecido 06 litros de colostro de boa qualidade nas primeiras seis horas de vida da bezerra e continuar o fornecimento por três dias no mínimo. Depois de 3° dia, deve-se fornecer 06 litros/dia até o trigésimo dia. Do 30° até 45° dia, 4,5 litros de leite. Do 46° dia até 60° dia, 03 litros de leite. Quando os animais estiverem entre 61 e 70 dias, aproximadamente, deve-se fornecer 15 litros de leite. A medida que vai diminuindo a quantidade de leite fornecida, aumenta-se a quantidade de concentrado. Esta ração concentrada deve ser de preferência, peletilizada.

4) Como deve ser feito o manejo das novilhas?
Dr°. Modesto: De forma a não prejudicar a glândula mamária com acúmulo de gordura no tecido mamário. Isso pode ser feito com formulação de ração priorizando o aumento de proteína da dieta, para animais entre 03 a 09 meses, principalmente. Deve-se também observar sempre o controle sanitário destes animais, para que estejam sadios.

5) O que é melhor, comprar ou produzir a própria novilha?
Dr°. Modesto: Acredito que, ao se produzir a própria novilha, os riscos são menores no que se refere à sanidade do animal. Ao contrário, não se sabe o que este animal pode trazer em níveis de sanidade. Também há o risco de ter sido alimentado de forma ineficiente, de modo a proporcionar acúmulo de gordura na glândula mamária, embora, existam produtores especializados na criação de novilhas.

6) O que deve ser feito para evitar os distúrbios metabólicos pós-parto?
Dr°. Modesto: Elaborar dietas específicas para animais em transição, ou seja, 21 dias antes do parto e 21 dias, após o parto. O núcleo a ser fornecido aos animais no pré-parto é completamente diferente dos animais no pós-parto.

7) Porque é importante produzir leite de qualidade?
Dr°. Modesto: Hoje, a maioria dos laticínios bonificam o leite com maior teor de gordura, proteína e menor quantidade de CCS e CBT. Também é relevante salientar a importância de se produzir um alimento de melhor qualidade para a população.

8) Qual a sua visão sobre o futuro da produção de leite no Brasil?
Dr°. Modesto: O Brasil tem grande potencial para produzir leite com mais eficiência e qualidade. Para isso, é necessário qualificar a mão-de-obra que dissemina a informação, investir em genética, conscientizar os laticínios da sua importância e proporcionar vantagens para toda a cadeia produtiva do leite. As parcerias com os produtores de leite também são bem-vindas. Não se deve ser apenas um mero comprador de um produto que, em muitas vezes, não tem a devida qualificação. Também se faz necessário defender nossas fronteiras, para que em nosso mercado não comercialize leite proveniente de outros países, onde o leite é subsidiado, concorrendo de forma desleal com nosso produto.


4
comentários:
Data:
23/04/2017 18:24:16
Nome:
Antonio Profeta de Oliveira Filho
Comentário:
Parabéns Dr.
Você foi muito feliz em sua entrevista sem rodeios, objetiva e esse deve ser o modelo de produção de leite no nosso Brasil Tropical.
Leite é alimento nobre e tem que ser produzido a pasto suplementado conforme produção esse é o modelo sem modismo!
Reprodução e Produção entra bela boca o resto é conversa para boi dormir!
Data:
11/11/2016 22:47:34
Nome:
IREZÊ MORAES FERREIRA
Comentário:
ESSES VALORES SÃO REGIONALIDOS, ACEITANDO VALORES MAIORES PARA A REGIÃO NORTE E NORDESTE.
Data:
11/11/2016 22:40:47
Nome:
IREZÊ MORAES FERREIRA
Comentário:
JORGE ESSE PADRÃO É NORMATIZADA ATRAVÉS DA IN 62 - E QUE ERA PARA TER ENTRADO EM VIGOR EM 01/07/2016 COM OS SEGUINTES VALORES:
CBT - CONTAGEM BACTERIANA TOTAL - ATÉ 100 MIL/UFC/ML
CCS - CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS - ATÉ 400 MIL/CCS/ML.
PORÉM FOI PRORROGADA ESSA IN 62 POR MAIS DOIS ANOS - 2018!!!!!
Data:
13/10/2016 22:28:47
Nome:
jorge Guerrero
Comentário:
Boa noite. Sinceramente, gostaria de perguntar se eles sabem o padrão exigido pela indústria em células somáticas, para recolher leite aos produtores. E se esses valores são iguais em todas as regiões do Brasil. Muito obrigado pela contribuição.